Açúcar oferecido a crianças antes dos 2 anos de idade

   É fácil  uma criança abusar do açúcar. Os 25 gramas limite estipulado pela Associação Americana do Coração para as crianças acima de 2 anos, é apenas ao açúcar de adição. Chama-se de "adicionado" aquele que incluímos nas preparações caseiras e também aqueles inseridos nos alimentos industrializados.
   Ou seja, além do açúcar utilizados para adoçar uma limonada, entra na conta aquele que já vem embutido nas bebidas artificiais, balas, biscoitos, pães e até barras de cereais. Esse açúcar adicionado é o tipo que mais preocupa. O exagero aumenta o risco de doenças crônicas no futuro, como diabete e hipertensão.
   A Associação Americana do Coração tem motivos para emitir o alerta. As crianças americanas consomem até 80 gramas de açúcar adicionado por dia, mais de três vezes o recomendado. O Brasil não fica atrás, infelizmente. Se apenas os lanches intermediários da manhã e da tarde de certos estados fossem pesados todos os dias, no fim do ano teríamos uma quantidade maior do que 5 quilos do ingrediente, mencionado pela Nutri Brasil Infância II.
   Alguns casos, nessas pequenas refeições o consumo ultrapassa o indicado para o dia inteiro. Para ter ideia, a investigação mostrou que, na região Centro-Oeste, crianças de 4 a 6 anos consumiram 21 gramas de açúcar apenas no lanche da tarde. O consumo frequente, dessas altas doses contribuem para a obesidade.

   Não estou aqui falando para retirarem todas as espécies de guloseimas de vez.O que precisa ter é um consumo consciente, e a educação sobre o assunto tem que começar bem cedo. O primeiro ensinamento é evitar o açúcar adicionado antes dos 2 anos. Nessa fase, o paladar está se desenvolvendo. Quando a oferta de açúcar se inicia, o bebê fica acostumado a esse sabor. Antes dos dois anos, o doce degustado deve se restringir ao que vem naturalmente de alimentos como frutas e leite. Este é o momento de estimular a percepção dos gostos, com apresentação de uma variedade de frutos e legumes.
   Esse ensinamento, não é normalmente aplicada em boa parte dos lares brasileiros. Há estimativas de que 60% das meninas e dos meninos com menos de 2 anos comam bolacha recheada, biscoito ou bolo. E para piorar, um terço deles já consomem refrigerantes. A introdução de bebidas adoçadas artificialmente, como os refrigerantes e também os  famosos sucos de caixinha no primeiro ano de vida está associada ao maior risco de desenvolver obesidade aos 6 anos. A conclusão não só faz sentido como combina de forma assustadora com a realidade brasileira. Dados recentes apontam que mais de 30% das nossas crianças de 5 a 9 anos sofrem com excesso de peso.
   A junção entre açúcar e obesidade infantil é forte por aqui porque ingerimos mais esse ingrediente do que gordura, diferentemente do que ocorre com os americanos. O açúcar adicionado é um problema porque é considerado fonte de uma calorias vazias, isto quer dizer que ela não vem acompanhada de outros nutrientes. Bem diferente daquele proveniente das frutas, exemplo.
   E por que o abuso desse ingrediente nos deixam preocupados?  Pois açúcar é uma fonte de glicose rapidamente absorvida. O abuso, portanto, corre o risco de ver o excesso de gordura no corpo e de outras formas também. O excesso pode ser processado pelo fígado e virar gordura. Fora a obesidade, o nível de moléculas gordurosas na circulação pode subir.

  É um ambiente excelente para doenças cardiovasculares entre outras. Se a criança já tiver sobrepeso ou tendência familiar, existe ainda o perigo de encarar a resistência à insulina. Nessa situação, o corpo não consegue aproveitar direito o açúcar, abrindo caminho para o diabete tipo 2. 
Isso não quer dizer que quem come açúcar se tornará um obeso. Mas é um fator que pode contribuir para esse quadro e que temos a oportunidade de controlar. Temos alguns empecilhos para o controle do açúcar, além de muitas vezes o paladar estar viciado pelo sabor doce, hoje não é obrigatório identificar o teor de açúcar na tabela nutricional dos produtos. Mesmo que algumas marcas o façam voluntariamente, não é padronizado. Podendo ser indicado somente o adicionado ou o total.
  Considere, por exemplo, as calorias de cada produto e verifique a lista de ingredientes, que está sempre em ordem decrescente. Portanto, se o açúcar ou outro de seus nomes, frutose, xarope de milho, dextrose, lactose, glucose e por aí vai, for um dos primeiros itens relacionados, é sinal de que ali há uma grande quantidade de açúcar. E pense, em bebidas adoçadas artificialmente, grande parte dos carboidratos é açúcar mesmo. Nos néctares de fruta (suco de caixinha), quase 100% dos carboidratos indicados são sacarose ou glicose.
   A sacarose, retirada da cana-de-açúcar, é o tipo que usamos em casa em sucos e receitas e também o mais requisitado pela indústria. Ele tem índice glicêmico alto, ou seja, provoca picos de glicemia. Mas o ideal é que o carboidrato seja absorvido devagar. É o caso da frutose das frutas, cujo índice glicêmico é considerado mais baixo. Mesmo assim, sua presença não limpa a barra de um alimento processado. Isso porque o xarope desse açúcar, versão que faz sucesso na indústria, traz a substância bem concentrada. Ora, para ingerir o teor de frutose encontrado em uma bebida adoçada artificialmente, teríamos que ingerir uma grande quantidade de uva, melancia, banana etc...
   A criança tem o direito de comer doces esporadicamente. O segredo está no entendimento de que todo exagero faz mal. As exceções estão liberadas, no cotidiano deve sem controlado, precisa ser mais rígido. Uma dica para os pais é focar no lanchinho da tarde, frequentemente fonte de calorias desnecessárias. Oferecer frutas, queijo branco, pães e bolinho de aveia e banana são exemplos de opções saudáveis para essas refeições.

  É bom lembrar que quem cresce acostumado com o açúcar sente mais necessidade dele. Aí, a redução precisa ser gradual. Caso contrário, será difícil convencer a criança a maneirar. Nesse desafio, a participação da família é essencial e não é para tirar  todo o doce da criança. A educação alimentar relacionado aos hábitos alimentares deve abranger todos da casa. Afinal, não adianta os pais oferecerem uma mexerica de sobremesa ao filho enquanto eles próprios saboreiam uma bola de sorvete. E convenhamos, compreensível não é?

Mais espera aí! E os adoçantes?

  Somente meninos e meninas com prescrição médica devem fazer uso de adoçantes artificiais ou itens com zero caloria. Há poucos estudos sobre os efeitos dos edulcorantes no organismo infantil. Por isso, recomendamos o uso apenas em casos específicos, como em crianças com diabete e obesidade.
 

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